Mentiras - para o outro, para si, nas redes sociais


Por Maria Lúcia Pinheiro


O dia 1º de Abril é celebrado como o Dia da Mentira, quando tem-se o costume de contar leves mentiras, pregando peças por diversão. Crianças e adultos participam da brincadeira. Dizem que essa folia surgiu na França, qdo houve a adesão ao calendário gregoriano, que gerou resistências acerca da data a se comemorar o Ano Novo. Essa sátira pode nos levar a refletir sobre qual o lugar da mentira em nossas vidas nos dias de hoje. Vamos comigo conversar um pouco sobre a mentira?!?
No Brasil, o Dia da Mentira se popularizou a partir de um periódico mineiro chamado “A Mentira”, que teria sido lançado em 1º de Abril de 1848, e abordava assuntos efêmeros e sensacionalistas. Publicou uma notícia falsa sobre a morte do imperador Dom Pedro II que viralizou na sociedade da época e o jornal precisou se retratar. Hoje, recebemos uma enxurrada de notícias falsas propagadas através das redes sociais. São matérias com diversas temáticas, sem respaldo, às vezes até sem lógica repassados indefinidamente por crédulos, brincalhões e maldosos. Essas informações podem gerar uma diversidade de danos as pessoas diretamente envolvidas e a sociedade de maneira geral. Por que replicamos tais informações? Qual a nossa intenção ou interesse?


Há quem defenda a mentira. Entendem que certas mentiras teriam uma função social, capaz de proteger, de evitar danos maiores as pessoas e as relações. Mas é possível ser sincero com gentileza, respeito e educação. Deixamos de ser sinceros quando o outro está abertamente confiando em nós nos pedindo uma opinião sincera, ou fazemos comentários mentirosos sobre questões que sequer foram perguntadas! Mesmo que a intenção seja boa, ela pode prejudicar ao outro ou até mesmo a relação. Mentir sobre o que nos incomoda numa relação para não magoar o outro acaba por fazer perdurar a situação incômoda. Dizer sim querendo dizer não gera em nós mesmos um desconforto, do qual nos vitimamos e culpamos aquele que, muitas vezes, sequer sabe o que está provocando!
Vivemos na atualidade um fenômeno interessante: as redes sociais. Anônimos se tornam pessoas públicas, a vida privada passa a ser compartilhada. E não queremos transmitir uma imagem “ruim”. Queremos nos mostrar belos, felizes, com uma vida social ativa e economicamente bem sucedida. A nossa vaidade ganha palco e público nas redes sociais! Porém, para algumas pessoas esse contexto se torna uma ditadura da felicidade! Alguns impõem a si mesmos mostrar esse sucesso a qualquer custo: fotos românticas de um casamento falido, uma incrível viagem apesar de contas atrasadas, filtros e Photoshops intensificando a beleza e escondendo defeitos, etc. Outros, mais ingênuos, vivendo uma realidade diferente, sentem-se frustrados e sofrem abalos emocionais ao alimentar uma expectativa irreal e descontextualizada.
E nos relacionamentos amorosos, há lugar para mentiras? Mentiras são diferentes de omissões? É necessário entender que cada um tem direito a sua individualidade, a sua privacidade, e tem também o dever de guardar os segredos alheios. Não é porque se está em um relacionamento amoroso que se tem a obrigação de contar tudo! Mas, as mentiras, de uma maneira geral, são utilizadas como meio de enganar e, portanto, fere o pacto de lealdade que deve haver entre o par. Vai muito além de fidelidade! É o compromisso de honestidade que deve existir em toda sociedade/parceria. Outro ponto a se pensar: por que eu não posso falar a verdade para o meu par? Muitas vezes, os ciúmes, as críticas, as brigas e incompreensões são motivos frequentes de fazer com que o casal acabe por prejudicar o diálogo direto e honesto entre eles.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Terapia Sexual - como é?

Perdi o desejo sexual, e agora?