A importância de uma mulher se mostrar sempre atraente para o seu marido.

Por Maria Lúcia Pinheiro
Psicóloga - Clínica SENTIRE 

Como ela deve fazer para nunca deixar a paixão e o desejo acabarem no casamento? O que ela deve fazer para se mostrar sempre atraente para seu marido, evitando que ele fique olhando outras?
      Mais importante do que a exigência de mostrar-se sempre atraente para o parceiro é sentir a própria vida como atraente. A luta incansável para atender a expectativa do outro não é saudável, pois nessa batalha esquece-se algo muito valioso e importante: criar e atender expectativas próprias. Isto é, dar sentido a própria vida, sentir prazer em ser si mesmo, amar-se e respeitar-se. Manter a individualidade, cultivar sonhos, preservar valores é o que de fato torna alguém interessante para outra pessoa.
      A paixão faz parte de um aparato evolutivo do ser humano em prol da reprodução, dura em média dois anos, tempo hábil para acontecer a conquista, o ato sexual, a gravidez e o período de maior dependência da mulher e do bebê. Contudo, em nossa civilização o sexo angariou funções dissociadas da procriação. As pessoas fazem sexo por prazer, não apenas para reproduzir-se. Por isso, ao construirmos vínculos afetivos em nossos relacionamentos sexuais necessitamos manter a paixão e o desejo para que possamos construir paralelos a eles os sentimentos de amor. A paixão não surgiu para durar para sempre, mas ela pode desenvolver-se para amadurecer a relação, complementar-se de outros sentimentos para que o vínculo perdure. Sentimos necessidade de mantermos-nos apaixonados em nossas relações. A paixão está relacionada à conquista, portanto é fundamental manter a própria individualidade e independência, manter-se apaixonante para si mesmo reconhecendo suas qualidades e respeitando as próprias dificuldades. Obviamente, gentileza e romantismo são fundamentais para sustentar a relação. É imprescindível ser uma boa companhia para si e para o outro, representar alegria, apoio, segurança e cumplicidade.
       Não se pode evitar que homens e mulheres olhem para outros, é uma reação natural que inevitavelmente acontecerá, o limite que esta reação irá adquirir depende de diversos fatores pessoais, sociais e culturais, como caráter, personalidade, conceito de amor e de relacionamento, qualidade da relação, etc. Existem acordos, espécies de contratos tácitos, implícitos em toda relação que são construídos a cada atitude, a cada decisão. Eles definem as regras, os objetivos, os limites de cada relacionamento e são sempre específicos a cada par. Definitivamente, vigília, brigas, discussões e imposições não evitarão que o outro olhe, interesse-se ou traia. Pelo contrário, a tendência destas situações é desgastar a relação, criar distanciamento, medo e mentiras e mágoas. O parceiro se torna uma presença desagradável, pois passa a representar problemas, confusões, tensões. Portanto, é preciso seguir o caminho inverso: respeitar a liberdade do outro enquanto mantém a sua própria, sustentada na individualidade.
Trecho de Entrevista concedida à Revista Mais Feliz

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